Sou...

A minha foto
Zürich, Zürich, Switzerland
Irrequieta. Curiosa. Criativa. Apaixonada. Versátil. Nasci quando as estrelas se juntaram para me ditarem no destino a Arte. Deveria estar frio... mas eu não me lembro. Escrevo desde que aprendi a fazê-lo. Umas vezes para me divertir, outras por desafio a mim mesma, outras porque as mãos me suam, implorando que o faça. Talvez um dia dê ouvidos aos meus amigos e faça por escrever um livro e o publique. Os textos e fotografias deste blog são da minha autoria, salvo aqueles que estão assinalados em contrário.

Cegueira

Tu não sabes nada! Julgas que todas as tuas lutas te ensinaram que só se vence de cabeça baixa. Eu digo-te que estás equivocado e remeto-me ao silêncio. Porque não acordas? Acaso te convences que só pelos golpes te sentirás vivo?

Chega-te a mim.

Fica... abraçar-te-ei quando mo souberes pedir com o olhar, sem usar palavras ou gestos. Fica... encontra-te e sê!

Só de olhos abertos poderás sentir


*Foto da Net*

A Insustentável Leveza do Ser




"Gostas tanto de falar, que se não te soubesse homem,

diria que eras uma mulher. Cala-te e beija-me!"

Vídeo


*Foto da net*

Anna W.

Nem lhe deixaram arrefecer as cinzas e logo se desfizeram do que um dia lhe vestiu e abrigou o corpo. Guardei uma caixa carregada de álbuns com fotos antigas... que seria combustível na lixeira, se eu não a tivesse visto e salvo no último momento.

A pele lisa e a expressão de vida na juventude, contrastam com o que conheci naquela mulher. Morreu! Morreu da forma mais cruel que imagino que se possa morrer. Sem que ninguém a chore, sem flores, sem despedidas. Como se tivesse morrido na memória daqueles a quem deu vida, muito antes do coração lhe ter parado.

Eu sabia-lhe dos medos. E tenho quase a certeza que foram eles que a mataram.

Dentro da casa... ficou a dor, a tristeza agonizante da solidão, o cheiro dos medicamentos e a quietude de quem já não espera nada.
As orquídeas sentiram-lhe a falta e deixaram cair as flores.

O Piano e o Gato

Ele costuma chegar tarde a casa, sempre escuro, agora. Assisto-lhe aos resmungos, aos passos pouco seguros. Reparo-lhe nas mãos trémulas, os dedos finos... Ele não me contou, mas fui percebendo com o tempo que já nada lhe chegava para se afogar, se embriagar e ausentar.

Antes, quando ainda não tinha provado a perda e a queda, havia risos. Havia festas. Havia uma casa cheia de mulheres e homens e... de vez em quando crianças. Havia a sala de onde vi um pedaço de mundo, cheia de notas, pautas, claves, composições, rabiscos, lápis,folhas, folhas, folhas... Havia as janelas abertas, a luz do sol que se demorava... Agora as portadas estão fechadas!

O Herr Wind, como aprendeu a chamar-lhe Romina, proibiu-a de mexer no que quer que fosse. “Den Staub? Lass es sein” Ordenou-lhe que fechasse a porta e cuidasse para que assim se mantivesse. Não fosse a gata ter arranhado a porta nas duas primeiras noites em que a ordem foi cumprida que esta nunca mais se abriria.

Nua

Vês este corpo?
Vês este olhar?...

Sou prisioneira... 
Prisioneira de um amor feito carne e sangue.
Prisioneira das cicatrizes e dos remédios milagrosos
que me mantêm num delírio quase sóbrio e me igualam ao resto.

Olha para mim...
Se eu me rasgar a partir de dentro,
se me abrir e fizer água, 
vais estar ali para aplaudir e rir, 
para me amparar na queda, 
para me remendar as asas?

Serás o Ourives ...
a trabalhar filigrana de prata, 
para curar o desespero, 
a sede e a ânsia?

Vês este corpo?
Olha para mim!!!OLHA PARA MIM!!!
Vês este corpo?

Carrega-te o peso, carrega-me o peso...
Nua, desde o primeiro dia, desde sempre!