Até já - digo-lhe. E desligo o telefone. Pego na chave do carro e voo
até ao prédio onde mora. Subo, a correr, as escadas até ao quarto andar,
paro para recuperar fôlego e aproveito o passar do comboio para abrir a
porta sem que se aperceba da minha chegada. Na casa de banho uma
banheira cheia à minha espera e ele. Entro e a luz pálida e suave das
velas deixa-me confortável para que me dispa sem receio. Ele olha-me e
mesmo antes que me consiga tocar, sinto-lhe os dedos na minha pele, os
lábios macios, a boca quente, a língua húmida. Estende-me a mão e entro
na água morna e perfumada. Nos primeiros momentos do reencontro as
palavras são por norma escassas. Beijamo-nos. Umas vezes como que a
matar saudades, demoradamente, languidamente. Outras vezes, ao
contrário, o desejo é sôfrego, violento, exaltado. Sento-me de frente
para ele e deixo que me lave o peito, as pernas, os pés com a espuma
leve. Respondo o massajo-lhe o pescoço e as costas. Sabe bem a
tranquilidade das noites sem planos e sem pressas, em que nos
encontramos porque queremos.
Levanto-me e ele repete o gesto. Ajuda-me a espalhar óleo na pele
ainda molhada enquanto brinco com os pelinhos que lhe salteiam o peito.
Ri-se.
Queres preparar-me um chá?, peço-lhe. E ele acede, afastando-se com a
toalha enrolada à volta da cintura. Enrolo-me no turco macio e espesso
que faz lembrar os hotéis de 5 estrelas e as mil e uma noites em terras
árabes. Adormeço quase instantaneamente mal caio na cama, para logo a
seguir acordar com os dentes dele a trincar-me finamente os músculos do
pescoço e os ombros. Subjuga-me prendendo-me os braços com as mãos e
apoiando o peito nas minhas costas. Desliza sobre elas e afasta-me as
pernas. Espera e faz-me esperar. Faz-se esperar. Gosta de me ver a
debater-me com a vontade que tenho de o ter dentro de mim, com o desejo
que me possua. E depois fá-lo, quebra a espera e o silêncio. Os gemidos
misturam-se com a força com que me assalta e o som dos corpos que batem e
deslizam um sobre o outro.
“Quero ver-te” e solta-me, permitindo que me sente em cima dele, que
conduza a meu bel prazer o ritmo e profundidade de algo que transformo
numa dança que me desperta, aquece e faz delirar. Aguento, tento
controlar a respiração e manter-me num quase orgasmo que não explode mas
cresce.
“Agora vem” e saio de cima dele, viro-lhe as costas, ajoelho-me e
agarro com força as grades da cama. De rabo empinado, oferecida e
rendida. Penetra-me e puxa-me sempre e cada vez mais para ele,
segurando-me pelos ombros. Sinto-o duro, cada vez mais. O ritmo aumenta,
as estocadas tornam-se mais altas e ecoam pela casa. Gemo, grito, sinto
um calor crescente que me invade a nuca e se precipita pela espinha
abaixo em direcção ao interior da minha vagina. Um arrepio sobe e
desagua no interior da minha cabeça e no momento em que expludo, sinto a
explosão dele. Vem-se sem dizer uma palavra, num grito contido, quase
um esgar de prazer. Suor, fluidos e gargalhadas, que culminam em corpos
cansados abandonados num abraço longo, salpicado de beijos, mimos e
palavras roucas.
Sou...

- Rosa Oliveira
- Zürich, Zürich, Switzerland
- Irrequieta. Curiosa. Criativa. Apaixonada. Versátil. Nasci quando as estrelas se juntaram para me ditarem no destino a Arte. Deveria estar frio... mas eu não me lembro. Escrevo desde que aprendi a fazê-lo. Umas vezes para me divertir, outras por desafio a mim mesma, outras porque as mãos me suam, implorando que o faça. Talvez um dia dê ouvidos aos meus amigos e faça por escrever um livro e o publique. Os textos e fotografias deste blog são da minha autoria, salvo aqueles que estão assinalados em contrário.
Segredos
Pego-te pela mão e puxo-te para mim. Digo-te baixinho, ao ouvido- vem, quero
mostrar-te algo. Entramos no comboio e subimos a montanha. Seguimos
depois por caminhos estreitos e carreiros apertados para desaguamos em
clareiras limpas e amplas, ladeadas por árvores grandes, altas e fortes.
A floresta abre-se para nós e na caminhada encontramos raposas,
milhafres, águias, ratos do campo, grilos, gafanhotos, aranhas e um sem
número de insectos e outros animais. Mostro-te os locais que sei de cor e
falo-te do cheiro do pinhal, dos carvalhos, das acácias, bétulas...
Cheira-se ainda o trigo quase pronto a ser colhido ali perto. São os
campos abertos e dourados, que há pouco ainda se salteavam de vermelho
que te quero mostrar. Sente-se o vento quente que agita as folhas acima
de nós. O canto das cigarras torna-se mais próximo. Vês aquela árvore lá
no alto? É lá que te quero levar. Abrimos caminho por entre o trigo
alto e deixamos atrás de nós o rasto da nossa passagem. Lá em cima a
sombra é fresca e a vista para poente desimpedida. Ficamos sentados, encostados ao tronco grosso do velho sobreiro. O sol desce e o céu tinge-se de rosa,
laranja, ouro e fogo. Encostas a cabeça no meu peito, dedilho o teu
cabelo. Aqui respira-se paz...
Chuva de Verão
A água cai como se fosse chuva de verão e molha-lhe a pele quente de um
dia passado ao sol. Ainda tem na memória as palavras que ele lhe escreveu na última
mensagem que trocaram. Fecha os olhos e procura-se. Entrega-se a um prazer
solitário que lhe arranca gemidos baixos, contidos. Um prazer que a molha em
desejo e a faz contrair-se.
Em silêncio, ele olha-a, do lado de fora e quando o ritmo denuncia o que está a chegar, ele pergunta: “Posso juntar-me a ti?”
“Não me apercebi que tinhas chegado. Vem...”
Sem roupa, entra, pega-lhe ao colo e encosta-a contra o mármore frio da cabine de duche. A pele arrepia-se-lhe e ela aperta com força as pernas à volta da cintura dele.Deixa-se escorregar para o sentir, devagar, até ele desaparecer por completo dentro dela. Os braços fortes seguram-na sem dificuldade e ele faz-se entrar uma e outra vez, sempre mais fundo, mais dentro e mais rápido. Abranda apenas quando ela lhe crava as unhas nos braços, revelando estar perto de perder o controlo. Sabe que não tem muito tempo e que ela se derrete em prazer a cada investida.
“Não me faças esperar mais”, pede-lhe. E ele acede. Forte, vigoroso,
possante e a cada novo assalto, sente-lhe o corpo a arquear-se, quente, húmido.
A respiração torna-se-lhes mais rápida e os gemidos contidos transformam-se em
gargalhadas que se misturam com o prazer que agora escorre e se vai com a água
que os molha.
“Ainda bem que chegaste” diz-lhe ela sem o largar daquele abraço.
“Ainda bem que chegaste” diz-lhe ela sem o largar daquele abraço.
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